5/14/2005

Uma Mulher Enjaulada na Liberdade




O retrato desta mulher é tirado por um homem na New York Times Magazine e traduzido para português pela Courrier International.
O homem, Christopher Cadwell, descreve a mulher Ayaan Hirsi Ali a oito colunas.
Em síntese Ayaan “nasceu na Somália, fugiu de um casamento imposto pelo pai, trabalhou como empregada de limpeza e hoje é uma das deputadas mais respeitadas do Parlamento holandês. Tornou-se célebre nos Países Baixos por condenar a opressão de que as mulheres muçulmanas são vítimas e declarar que, segundo os critérios actuais, o profeta Maomé seria considerado tirano e perverso”.
A descrição é forte mas, com certeza, demorou-lhe as passas do algarve até lhe assentar na perfeição.
Agora, a partir do texto, oito colunas, e das fotografias, tento eu traçar-lhe o perfil:

Ayaan Hirsi Ali tem 33 anos. Um pai africano, uma mãe holandesa, uma terra natal islâmica. Tem a “cara que merece”. O Negro do chocolate com leite, dentes brancos, cabelo cuidadosamente apanhado, nariz ocidental, um discreto brinco de pérola na orelha, apenas para os mais atentos. Dedos delgados e compridos, mãos de mulher com pé grande.
Para muitos devia limitar-se a um banco de piano de cauda mas, com todo o respeito e admiração que tenho por todos os que decifram e interpretam a Música, Ayaan esforçou-se muito mais do que isso. Obrigou-se a ser livre. Haia é o cenário actual mas antes passou pela Arábia Saudita, Etiópia e Quénia. Aparentemente fugiu destes países, da sua religião e do seu marido mas acredito que Ayaan nunca fugiu a coisa nenhuma.
Um dia um jovem holandês convertido ao Islão, “tocou-lhe no ombro”. “Voltei-me e vi o jovem que me pareceu um belo rapaz sardento, por volta dos seus 24 anos, e que me disse: Minha senhora, espero que os soldados da Jihad arranjem maneira de a matar”.Ayaan “estendeu-lhe a faca do talher e respondeu: porque não o faz você mesmo”.
Obviamente não passa um segundo sem os “seus companheiros de infortúnio”, os guarda-costas.
Regresso ao retrato de Christopher Cadwell:
“O seu estatuto e símbolo nacional, eleva-a acima dos seus concidadãos, mas no quotidiano, ela partilha a triste sorte dos detidos”.
Catarina Miranda
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