5/23/2005

Um Carneiro Zangado

A minha Tia Avó é do signo Carneiro. Eu sou do signo Capricórnio. A vida não nos é fácil.
Acabei de falar com ela ao telefone e desliguei-lhe com um até logo irado. Diz que me tem observado e que a ela eu não engano. Já a tinha convidado para irmos almoçar à praia mas, desta vez, disse-me que não. Mudou de ideias. Queria só que a deixassem em paz. Estava cheia de dores. Pelo meio de uma das dores acusou-me de me ter aproximado de uma "terceira pessoa" numa altura em que não podia fazê-lo. Fiquei em pânico. Já fiz asneira. Ouvi atentamente os seus argumentos. Comecei por aceitá-los, comecei por me odiar mas continuei a ouvi-la atentamente até ter percebido que quem falava por ela, pela boca da minha tia avó, era apenas a dor.
É verdade. Aproximei-me de uma "terceira pessoa" simplesmente por uma forte necessidade de ir almoçar à praia mas imagino, sendo Capricórnio, que o Universo Carneiro vá ficar, finalmente, muito zangado comigo. Paciência. Basicamente, estou bem farta e saturada das desconfianças dos carneiros. Uma vez Capricórnio vou fazer o que acredito piamente que faz Bem à "terceira pessoa" que afinal é a primeira. Acredito piamente e também que faz Bem a...Mim.

Não dás ponto sem nó, diz-me a tia-avó.
Desde que sejam bem feitos, digo-lhe eu.
Mas para que os fazes, pergunta-me.
Para depois poder desfazê-los além de que tu, minha tia, fazes nós muito mais apertados do que eu. Vi-me sempre à rasca para desapertar os atacadores dos ténis.
Olha que essa, eu nem sei fazer nós calha bem. Continuou.
Sim, sim abelha. Piu, Piu e Até Logo.

Se estiver redondamente enganada o mais provável é que nunca chegue a ir almoçar à praia. Nessa altura o azar é da minha tia avó porque eu sigo em frente para o campo e ela fica numa cadeirinha a apanhar banhos de sombra.
Já a minha avó que é Aquário surpreende-me sempre pela positiva. Acabou de me ligar e eu acabei por lhe perguntar se gostava de ir almoçar comigo lá para os lados da Malveira e ela respondeu: Ena pá tão longe, adoro a Malveira, sempre adorei. Fico à espera que me leves. Gosto tanto da minha avó. Parece uma francesinha. E agora está naquela fase em que só se quer rir e se esqueceu das dores. Já tou mesmo a vê-la a andar aos saltos pelos sítios queridos onde foi feliz...pela Malveira.

Patrícia
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