5/29/2005

Eutanásia-OUI NON

Cuando yo caiga


Cuando yo caiga, como fruto maduro del árbol de la vida,
dejame allí mismo, donde yo caiga,
para que me abrace el sol y el viento y la luna,
que la vida me devore mordisco tras mordisco.

Que cada cual recoja el amor que me dio:
la luz, su luz; el agua,
la tierra, su ceniza; su espíritu, el viento.
Que coja cada cual lo que precise.

Pero que no me esconda la codicia humana
en el calabozo de los muertos, en una jaula sagrada aterrada a un recuerdo, llorando como un niño
que no quiere devolver lo que se le prestó.

De la semilla al fruto fui empujado por el amor,
cuando vuelva al origen, derribado o caído,
amigo o enemigo, que no te cause espanto,
aunque te parezca que ya no tengo vida,
no es que esté muerto, me estoy recreando.

No me cubras de tierra, ni metas en un nicho.
Si no quieres verme, llévame a campo abierto,
déjame mirando al cielo para irme esparciendo
entre todo lo que quiera llevarse de mí algo.

Un gusano, una mosca, un pájaro cualquiera...
hasta que me consuman por amor regalado
para empujar la vida soñando pero libre,
que cada uno recoja lo que me dio prestado.

Así, cuando caiga, dejame caído para retornar a la vida allí donde yo caiga.

In Poemas de Ramón Sampedro "Cuando Yo Caiga"

Este foi o homem que, na idade adulta, me fez acreditar verdadeiramente na Vida.Lamento para os que odeiam espanhois que este herói chegue de Espanha.Lamento para os que amam a Espanha que tenha sido a Espanha a matá-lo com dor, muita dor.

Catarina Miranda

Agora tanto eu, Patrícia, como a Catarina vamos para nossa Casa.Vamos fazer Amor uma com a outra porque tudo o resto falhou. Tudo menos as Crianças.
Mas antes de dizer Boa Noite, digo-vos que "finalmente"(em Portugal) a geração do Charro chegou ao poder e Meu Deus.Sim Senhora, há muito que se fala em Haxixe e nos Assassins mas aqui em Portugal ao pé da nossa idade, da nossa geração de 70 completamente disfuncional e sem responsabilidade absolutamente nenhuma.Não.Hoje Dói Muito. Hoje Dói Muito Olhar para as bancas de um quiosque e sentir alívio apenas na Terra do Nunca.
Hoje Dói Muito ter de pôr as Lauras Esquíveis de parte e fazer o Elogio Supremo da Margueritte Yourcenar-Memórias de Adriano...Tempo Esse Grande Escultor.
Nas memórias de Adriano, o objecto da paixão de um Imperador suicida-se porque está farto de ser gay, porque o Amor sufocante do Imperador lhe tira o Ar, Porque não tem culpa de Ser Belo, Porque Não Tem Culpa de Ser Jovem e Porque não pode fazer absolutamente mais nada a não ser deixar-se ser enjoativamente amado pelo estupor do Imperador.
Quanto ao Tempo...esse dá-nos sempre a cara e a velhice que a gente merece...é Escultor.
Declaro, por exemplo, ao Lobby Gay, que pertenço ao Lobby Cagay.
Declaro que se Amo uma Mulher faço-o com o maior dos desgostos.
Às vezes Um Homem e uma Mulher Completam-se Sempre.
Malditos Gregos que tanto estafaram as Suas Mulheres de Atenas que agora é a vez delas irem para a Night Dançar.Sempre foi também a sua vez mas agora Elas Dançam para todos verem.

Não, Não, Não três vezes Não

Patrícia

5/27/2005

A Senhora do Destino

Há 17 anos comecei a fazer estudos de mercado. Queria juntar dinheiro para tirar a carta. Percorri todos os bairros de Lisboa, todos os prédios, bati a todas as portas e perguntei a todos os moradores que aceitaram responder ao inquérito: que margarina usa habitualmente? Acha a margarina salgada, insonsa, q.b. ou não responde? É cara, barata ou não sabe?
Por cada questionário preenchido recebia 500 escudos. Se conseguisse dez já fazia 5 contos diários.
Num desses dias, às nove da noite, bati a uma porta em Telheiras, um bairro que já venceu há muito tempo a barreira dos arredores. Fui recebida por uma senhora sorridente. Tinha uns 39 anos e muito bom aspecto. Perguntei-lhe se estava disponível para responder a umas questões sobre margarinas e uns novos sumos que tinham acabado de aparecer no mercado.Se ela me respondesse completaria os meus 5 contos diários. Isso e estar ali àquela hora e com aquela idade eram os únicos argumentos que tinha para a convencer. Ela manteve o sorriso e em tom de súplica disse-me: “…é que estou a ver a novela. Estive todo o dia a trabalhar, acabei de dar o jantar aos meus filhos e só tenho este bocadinho para estar sossegada compreende? Importava-se de voltar noutra altura?”

Pára este texto. Pára tudo. Os planos de viagens, as férias, o maravilhoso, o incrível, o bom e o mau, os interessantes, os giros e os feios, as dissertações, as narrativas, os idiotas e os inteligentes, as gargalhadas, o trabalho, os colegas, os amigos, as crianças, a montanha russa, o twister, o combóio, o avião. Pára de falar.Desliga o telefone porque isto vai começar.

É infalível. A novela é infalível. Não tem piedade. É implacável. Refiro-me apenas à novela da Globo, à “novela das oito” e a mais nenhuma.
A minha primeira paixão foi o Dr. Mundinho em Gabriela, hoje um José Wilker careca que faz de bicheiro na Senhora do Destino. Quando ia ao cabeleireiro com a minha mãe pedia sempre um penteado à Malvina (Gabriela), hoje uma velha Elizabeth Savalla que não resistiu ao tempo e ficou confinada a papéis de histérica na novela das seis. Encantava-me o romantismo da Jerusa (Gabriela), hoje uma Nívea Maria que acabou numa mãe low profile de Malu Mader em Celebridades. O Sr. Nacib (Gabriela), um Armando Bogus que deu o seu último suspiro em Tieta do Agreste. O Dr. Ezequiel, o Coronel Amâncio, a Maria Machadão e as meninas do Bataclan. Salvo raras excepções, já morreram todos. Os que ficaram precisam de ser esgravatados no reino do papel secundário… menos Gabriela, uma Sónia Braga que se internacionalizou.
A dependência da novela consiste em verificar o processo de envelhecimento dos actores de uma para a outra – “iiiii como este está, gordo que nem um txugo; iiiii o que é aconteceu àquela?; olhameste, continua na mesma!” – em sentir o alívio de ver boas representações em português (do Brasil), em ficar enredada e embaraçada num argumento em que o autor passou, plo menos, um par de anos debruçado sobre textos e diálogos de dezenas de personagens com dramas e aventuras que se cruzam entre si. E o argumento não perdoa: se ficar um mês sem poder assistir à novela das oito é mais que certo que quando a ela voltar, logo à primeira cena, entro no mesmo transe com que seguía a anterior e a antes dessa, a das oito. O fenómeno é semelhante à leitura do Código Da Vinci. Funciona como uma aspirina que tira as dores de cabeça, uma anestesia que adormece os sentidos e nos entorpece, um alhear que nos afasta convenientemente do essencial. Não voltamos a pensar no assunto, nem no Código nem na novela, mas aquele momento poderá bem ser, como me disse a Senhora de Telheiras, o único sossego que se consegue obter do dia.
A Isabel, da Senhora do Destino, abraçou uma mãe que nunca conheceu, anunciou a gravidez a um homem que a ama desesperadamente e que não a vía “há uma eternidade”. A falsa mãe e raptora de Isabel enlouqueceu e quer matar qualquer um que se lhe meta à frente. Há uma catrefada de irmãos, há sucedâneos de tragédia grega.
Os diálogos não são brilhantes como na novela anterior, (e daí...talvez sejam) em que o mau e a má da fita entravam numa desgarrada filosófica até se matarem mas o enredo, o guião é o íman mais que perfeito, sobre e para trabalhadores. Um Brasil de 1968 que vivia numa “liberdade vigiada”.Tanques na rua, soldados, armas, bandeiras, fumo, gritos e no meio disto tudo há um bebé que é raptado. Está lançada, a novela. Mordi o isco…só para falar da década de 90.
Há mais de 40 anos que a Globo anda a especializar-se em prender atenções:

A Sombra de Rebecca, A Gata de Vison, A Cabana do Pai Tomás nos anos 60.Casarão, Dancin´Days, Dona Xepa, anos 70.

Água Viva, Guerra dos Sexos,Vale Tudo em 80.

A Próxima Vítima em 90.

Estas e muitas mais estraçalharam os outros canais brasileiros: Manchete, SBT, Bandeirantes, Tupi etc.

Aqui há tempos houve uma reposição de Gabriela(1977). Técnicamente perdeu o direito ao horário nobre.Tem rua, política, cidade, campo, tipos e carácteres mas tem um ritmo a que já ninguém adere, os audios, ou antes, os sons ambiente esstão desfasados, as conversas são teatrais e lentas, os planos de corte (de passagem) interrompem as cenas à bruta. É boa mas é antiga. Emocionalmente é melhor não voltar a ver o que há tantos anos me fez tão feliz (ou estarei enganada...), a Gabriela Cravo e Canela, mas insisto em distrair-me e sossegar-me com a Senhora do Destino tal como previu o sorriso e a expressão- “um dia vais perceber porque é que te vou dar com a porta na cara”- da Senhora de Telheiras que nunca respondeu ao questionário sobre as margarinas e que voltou para o sofá.

Catarina Miranda

5/25/2005

Os Descobrimentos

Naveguei Pelo Mundo dos Livros e Eureka, fiz a Descoberta.
O Marido da Escritora era Aquele que lhe assinava as Histórias.
Foi como Encontrar a Índia num dia de Chuva e poder Finalmente deitar-me com o Buda.
Não, não é para Rimar porque Eu Não Sei Brincar.

Outra Vez Dona Inês

A Dona Inês é Vaidosa
Parece uma Quaresmeira sempre vestida de Rosa.
Não gosta de dar nas vistas mas discretamente lá vai passando na esperança de esquecer o Pedro e encontrar o Fernando.

25 de Maio

Celebra-se o Dia de África.
Assinala o Compromisso político dos líderes africanos de promover a Unidade e Solidariedade entre os Estados.
Hoje a notícia de abertura de todos os Telejornais do Mundo só pode ser isto. Se não fôr é porque anda toda a gente enganada. Vamos viajar pelo mundo informativo. O primeiro que abrir com uma cena deste tipo Ganha.

Ganha o quê?

Ganha. Achas Pouco?

Há sempre os sortudos dos perdedores.

Ya mas esses não chegam a lado nenhum. Ficam a meio.

5/24/2005

Nasceu o Romeu

Respirar Correr Andar


Tu deves ser de Vénus porque eu de certeza sou de Marte.
Havemos de Ficar juntos Para Sempre.
Amantes Para Sempre.
A Cuidar um do Outro.
Podes Viver no Mar e eu posso Ser um Pássaro porque vamos mesmo Ficar Juntos.
Sempre que te apetecer fugir, correr não hesites e dirige-te para os meus braços e deita-te no meu peito.
Só quero dizer Olá a quem Amo porque passo o dia Agoniada com a tua ausência.
Já Sei. És um Viajante Universal. E Então? Também Eu.
Consegues Surfar nos Rochedos. E Então? Eu Também.
Corres o risco de perder-me. E Então? Também Eu.
Mas isto é Biológico. Milhares de Cabelos apenas Dois Olhos e és sempre Tu. Alguma pele, biliões de genes e voltas a ser tu.
Está Toda a Gente a Mudar e Eu Não me Sinto Bem. É um Caminho bem Solitário aquele que escolheste mas e então? Eu Também.
É provável que não nos voltemos a encontrar a não ser que tudo isto seja Circular.
Mil Anos passaram e mais Mil Hão-de passar e serás sempre Tu.Tu.Tu.
E que palavra mais díficil para se dizer.
Mas se Quiseres Também Podemos Ir Para a Praia dançar ao Som dos Duran Duran...ou do Spriengstein? Ah compreendo. Não. Népia. Ka.
Azarucho. Vou Apanhar Ar Correr e Andar.

Patrícia

Ninguém Diz Nada...

New York (Nations Unies), 24 mai 2005 (AFP) - L´Ancien Premier Ministre Portugais António Guterres a été nommé au post de Haut comissaire de l´Onu pour les réfugiés, a-t-on appris mardi de source onusienne.

Ninguém reage. Ninguém quer saber. Estão todos a fazer a sesta e a pensar quem é que mandou matar o Amílcar Cabral, quem foram os palhaços que espalharam o Marburg, que tipo de Barro é que serve para Cosmético, se Vai Chover ou se esperamos pela Estação das Chuvas. OK. Who Cares about o provincianismo de ter mais um lá fora ainda por cima nos refugiados. Pouca coisa. Back to Work. Pelo menos em Portugal não se vai falar de outra coisa...SLB e o escafandro.

Catarina Miranda

Cem Imagens

Leste os Jornais?

Em Diagonal como o Pai.

E Então?

Nada.

Faz um Esforço.

Epá é que os gajos escrevem mal, tá cheio de erros, de gralhas. Não Sei onde Raio se meteram os copy desk...OK já que insistes:


"A mulher que veio de Leste por Mão de Khol" . Acho que é a primeira mulher a impor-se na liderança de um grande partido alemão, epá, a candidata à chancelaria pela CDU, a Angela Merkel. Acho que a tipa era filha de um pastor protestante e arranjou uma carga de trabalhos lá na zona. E agora, como se não bastasse, o "Schroeder quer antecipar eleições no parlamento"

Depois os gajos d´A Bola ainda não se calaram com o SLB, os putos vão para a escola vestidos de vermelho, outros vão de verde só para chatear. Andam todos à batada e as educadoras fumam dez maços por dia na casa-de-banho. Pois não! De manhãzinha os papás levam-nos à escola e pelo caminho compram o jornal. Pimba: "O Fabuloso Destino da Onda Vermelha" o que vale é que as meninas ainda estão naquela da Amélie, tadinhas.

A páginas tantas aparece-me um gajo chamado Não a disparar umas larachas. É um tal de Fernando Ka que, publicamente, atreve-se a mandar esta bujarda: "Discriminação Racial ou os Novos velhos do Restelo". Esta cena só porque anda convencido que andam para aí uns teimosos a dizer que em Portugal não há racismo quando isso não passa de uma grande distracção ou de má fé. Se o gajo, em vez de estar a perder tempo, mandasse a má fé para onde ela é precisa fazia melhor que anda aí uma gente que só come ordenado, perdão, arroz. O gajo que vá ler o Camões porque não percebeu nada dos cantos quando lhe ensinaram.
E às tantas, o número da moda: 6, 83%. Para isto não tenho pachorra mas acho que tem a ver com a ingovernabilidade de um país. Portugal.

Epá e mais nada a não ser o costume, as grandes esmolas da União Europeia e aquela cena para assustar."Última Oportunidade para o Continente Africano"

O que vale é que os gajos insistem na cena das colecções, a ladroagem. Hoje lembraram-se, outra vez...é uma mania, do Júlio Verne e da Estrela do Sul. Tem qualquer coisa a ver com um Diamante Fatal perdido na África do Sul. Uma tal de Sara Gomes manda com:

"Será possível fazer "nascer" um diamante? Cipriano Méré é o jovem quimico francês que parece conseguir essa proeza em nome de um amor impossível. Mas eis que o diamante é roubado e a única solução é atravessar a África do Sul à procura da valiosa pedra, numa luta contra o tempo e muitos inimigos"

Ora eu já li o livro e não vi nada disto. A Sara deve andar a ver muitos Indiana Jones ou então tropeçou no Tomb Raider. Ganda Maluca.



Catarina Miranda

Quiz Show - E O RESTO ?


Trabalhar Pra Ganhar a Vida
Porque é Que a Vida Que Se Ganha
Tem de Gastar-se a Trabalhar
Para Ganhar a Vida
A Minha Voz - Lena D´Água
A Minha Letra - Luís Pedro Fonseca
O Escritor da Minha Vida. Único. Imenso. Eterno. - Quino
Catarina Miranda

5/23/2005

Quiz Show

Finalmente


x´=x-vt
raiz 2 de 1-kv2 x= x´+vt´
raíz2 de 1-kv2


y´=y y=y´


2´=2 2=2´


t´=t-kvx
raiz2 de 1-kv2 t= t' + kvx´
raiz2 de 1-kv2

Estando os eixos na "posição standard", é esta a forma mais geral duma transformação linear que respeite as condições que impusemos.*ir a comments

(from:Teoria da Relatividade Restritiva)

A Cacha Mentirosa

Não tenho pachorra para Cachas jornalísticas fraudulentas.
Não tenho pachorra para a teimosia da Cacha.
Não tenho pachorra para estes exibicionismos que a meio da tarde se transformam em trica de corredor. Não Tenho.
O que há em mim sobretudo é sono.
Tenho Sono. Não há meio de acordar. Vou fazer a sesta. Volto quando valer a pena e se valer a pena a não ser que fique cheia de pena dos jornalistas encachotados.
Catarina Miranda

Um Carneiro Zangado

A minha Tia Avó é do signo Carneiro. Eu sou do signo Capricórnio. A vida não nos é fácil.
Acabei de falar com ela ao telefone e desliguei-lhe com um até logo irado. Diz que me tem observado e que a ela eu não engano. Já a tinha convidado para irmos almoçar à praia mas, desta vez, disse-me que não. Mudou de ideias. Queria só que a deixassem em paz. Estava cheia de dores. Pelo meio de uma das dores acusou-me de me ter aproximado de uma "terceira pessoa" numa altura em que não podia fazê-lo. Fiquei em pânico. Já fiz asneira. Ouvi atentamente os seus argumentos. Comecei por aceitá-los, comecei por me odiar mas continuei a ouvi-la atentamente até ter percebido que quem falava por ela, pela boca da minha tia avó, era apenas a dor.
É verdade. Aproximei-me de uma "terceira pessoa" simplesmente por uma forte necessidade de ir almoçar à praia mas imagino, sendo Capricórnio, que o Universo Carneiro vá ficar, finalmente, muito zangado comigo. Paciência. Basicamente, estou bem farta e saturada das desconfianças dos carneiros. Uma vez Capricórnio vou fazer o que acredito piamente que faz Bem à "terceira pessoa" que afinal é a primeira. Acredito piamente e também que faz Bem a...Mim.

Não dás ponto sem nó, diz-me a tia-avó.
Desde que sejam bem feitos, digo-lhe eu.
Mas para que os fazes, pergunta-me.
Para depois poder desfazê-los além de que tu, minha tia, fazes nós muito mais apertados do que eu. Vi-me sempre à rasca para desapertar os atacadores dos ténis.
Olha que essa, eu nem sei fazer nós calha bem. Continuou.
Sim, sim abelha. Piu, Piu e Até Logo.

Se estiver redondamente enganada o mais provável é que nunca chegue a ir almoçar à praia. Nessa altura o azar é da minha tia avó porque eu sigo em frente para o campo e ela fica numa cadeirinha a apanhar banhos de sombra.
Já a minha avó que é Aquário surpreende-me sempre pela positiva. Acabou de me ligar e eu acabei por lhe perguntar se gostava de ir almoçar comigo lá para os lados da Malveira e ela respondeu: Ena pá tão longe, adoro a Malveira, sempre adorei. Fico à espera que me leves. Gosto tanto da minha avó. Parece uma francesinha. E agora está naquela fase em que só se quer rir e se esqueceu das dores. Já tou mesmo a vê-la a andar aos saltos pelos sítios queridos onde foi feliz...pela Malveira.

Patrícia

5/22/2005

Festarola: Benfica Campeão


Tenho Sono

Catarina

"Inesperadamente" Reapareceu Perto De Mim

Cristo mal tive tempo de arrefecer e de me habituar a esta nova serenidade.
O raio do homem regressou do Senegal. Desta vez irritei-me e dirigi-me até à sua residência para lhe pedir satisfações. À porta um gigante segurava-lhe a calma aparente. Perguntei por ele e ouvi: Está a descansar, a dormir. Estremeci de raiva.O que é que ele quer agora. Estava à espera que já não voltasse. Na rua, o aparatoso dispositivo masculino seguia-me sem sequer ter de me olhar.Por hoje chega.Vou deixar de lhe ligar.
Haja o que Houver estou Off Line.

Patrícia

Avó

"Muro d aman curamada q caramna e muuio e gosto muto da"

Foi assim que a minha Avó me tentou escrever :

Catarina Para Mim Tu És Uma Princesa
Gostava de Ter Vida Para Te Ver Crescer


Catarina Miranda

"Inesperadamente" Desapareceu no Senegal

Era um homem bastante inteligente. Apaixonou-se por mim ao primeiro olhar e desde aí a vida nunca mais lhe foi a mesma.Cheirava permanentemente a álcool, apanhou o vício nos tempos da faculdade no Algarve.
Os dentes eram castanhos, cheiravam mal e já lhe tinham diagnosticado uma podridão estomatológica.
Como vêem eu não podia corresponder-lhe à paixão.Homens com mau hálito não.
Fez trinta por uma linha para me chamar a atenção. Agitou a vida de tudo e de todos. Até a árvore que eu tinha no meu jardim se inclinou de cansaço. Escreveu um livro, inspirou-se em mim. Foi best-seller, todos o leram menos eu que não tive tempo. Perguntou-me se tinha gostado. Disfarcei não ter lido e respondi: Não! Achei Frio.
Finalmente acho que o homem se esgotou porque hoje, inesperadamente, partiu para o Senegal.
Só espero que não volte de lá agora com a artilharia pesada. Eu já lhe disse, olhos nos olhos, lamento mas contigo não.
Patrícia

5/21/2005

Avante Camarada!



Fiz uma descoberta fantástica! A minha empresa deve ter o melhor sindicato do País! A ver:
O SINTTAV, é o maior Sindicato das Telecomunicações e Audiovisual cá do burgo, segundo o flyer que me foi entregue pela minha chefia. Abri-o e não quis acreditar no que via. Só tive pena de não ser homem. Aqui fica exactamente o que está escrito no dito flyer, precisamente com a mesma mancha gráfica do original, maiúsculas e minúsculas:

"A acção do SINTTAV

Contratação Colectiva - Matéria Salarial, Carreiras, Redução do horário de trabalho, Acordos de empresa, Acordos colectivos de trabalho, Cadernos Reivindicativos, Aumento de dias férias
Emprego com direitos
Segurança, Higiene e Saúde no Trabalho
Intervenção Sindical nas empresas
Formação Profissional
Apoio Jurídico
Mulheres
Jovens (...) "

Mulheres???? Jovens?????? Atão e uns gajos bons não se arranjam?? Eu quero um alto, moreno, olhos verdes, pode ser, pode?


Ana Ataíde

Salgueiro, A Árvore Dela

-Ele...telefonou-me... de...Paris??...A...sério?!!!...Porque é que não me chamaste....porquê???!!!
-Estavas a dormir.
-E o que é que ele disse, o quê?!!!”
-Lembro-me lá. Queria tanto ouvir-lhe a voz que lhe perdi o conteúdo”.
Depois desta resposta uma das minhas tias solteiras saiu da cozinha em direcção ao campo, encostou-se ao tronco de um Salgueiro e fechou os olhos.
Foi daqueles fins-de-semana arrepiantes. Como de costume lá fui visitá-la.A casa ficava-lhe na parte terminal do Rio Vouga.
Todas as sextas sonhava com o sábado: “Baixo-Vouga aí vougueu”.
Não havia outra hipótese. Era a única forma de comer sopa de legumes coisa que esta minha tia solteira fazia como ninguém.
Os dias que passava com ela eram cansativos. Estava sempre zangada comigo. Prendia-me por ter cão, prendia-me por não ter. Eu tentava levar-lhe o cão e mandá-lo embora logo de seguida. Não resultava. Eu ainda não tinha percebido o meio-termo. Esta minha tia solteira e agora com 73 anos não se deitava porque lhe doíam os ossos, não se sentava porque lhe ardiam as costas, só descansava quando se encostava ao tronco do Salgueiro. Adorava o raio da árvore. Nunca me explicou porquê. Limitou-se a despachar-me com uma daquelas frases “A lenha do Salgueiro aquece o agricultor rico, aquece o artesão, aquece o trabalhador rural”
Porreiro. Passava a vida a mandar-me à merda com boas maneiras e eu não percebi porque raio gostava ela tanto de uma árvore. Compreendo, conseguia fechar os olhos quando a ela se encostava.
Nesse sábado, enquanto a observava de olhos fechados ao longo do Salgueiro reparei finalmente na árvore. Não há dúvida que o tronco tinha uma forma melancólica. Não há dúvida que deste tronco saíam outros em curvas sensuais.Não há dúvida de que as folhas o tornavam extrovertido e não há dúvida que a fazia, à minha tia, viajar.
Pensei que me bastava, já não queria saber do resto. Chamei-a porque a sopa já fervia. Ela não respondeu, nem voltou a abrir os olhos.Foi um fenómeno interessante porque esta minha tia morreu de pé...ainda bem que o Salgueiro não lhe permitiu a queda.
A perda causou-me desgosto mas, não há dúvida, esta não era a minha única tia.
Catarina Miranda

5/19/2005

A Minha Mulher V

Desta vez Eufémia recebeu-me em minha casa, maquilhada. Os tons da base, do pó-de-arroz, do blush, do rímel, do bâton acentavam-lhe na perfeição não fosse o ligeiro exagero. Até as olheiras habituais tinha disfarçado com anti-cerne. Foi este tom carregado da pintura que me fez perceber a sua Ira...para mim.
Eu estava exausta e despenteada. Uma mala de cada lado derreava-me os braços. Devo-lhe ter feito um olhar de muita falta de pachorra porque ela virou-me as costas à velocidade da luz. Atirei-me para o sofá e esperei que ela regressasse o que aconteceu precisamente na altura em que toda a minha cara esboçava um sorriso. Eu tinha acabado de regressar de uma semana de férias em Goa e agora Eufémia pedia a demissão:
"Já não quero trabalhar para si, surgiram-me outras oportunidades, despeço-me."
"Falamos amanhã, a viagem foi comprida, preciso de dormir."
Ela saiu e bateu com a porta de tal maneira que tudo o que havia de mais pesado na sala estremeceu.
Estive muito pouco tempo em Goa, o suficiente para um encontro que aconteceu, logo ao primeiro dia, no Terminus Panaji enquanto aguardava pela camioneta. Olhava sempre para o chão, enquanto comprava os bilhetes mal se percebia a voz, tinha a coluna torta que lhe evidenciava o rabo, muito alta. Era uma feia com a autêntica beleza de uma Helena de Troia. Quem diria.
Entrámos juntas na camioneta e percebi logo que se tratava de uma mulher de muito jogo. Despassarada, só conseguiu sentar-se quando o único lugar vazio se encontrava ao meu lado. Comecei a ficar impaciente e resolvi a questão olhando para a janela até ao final da viagem. Sempre que o sol se escondia via o seu reflexo no vidro. Observava-me atentamente sem nunca tirar os olhos do motorista que a topou logo pelo espelho retrovisor. Tive vontade de perder todos os sentidos mas não consegui até adormecer como uma pedra apesar da cabeça não parar de bater na janela a cada buraco no asfalto e na terra batida.
Acordei já no final da viagem. Procurei a garrafa de água que nunca cheguei a comprar. Nem mais. Ela ofereceu-me a dela e disse sumidamente: não vou precisar.
Como não tinha nada a perder virei-me e respondi-lhe: a sua voz não condiz com a sua altura. É fraquinha.
Ela ficou em silêncio depois de me ter convidado para beber um café.
Insisti: um café indiano ou português?
O que é que isso interessa, aqui os portugueses já se esqueceram dos indianos e os indianos alhearam-se de Portugal. Vamos antes beber uma Coca-Cola, está calor
.
Entrámos na rua à balda. Iamos sendo atropeladas por uma mistura de riquexó com uma vespa preta e amarela. Sentámo-nos numa esplanada e aqui ela fez-me uma expressão esquiva, no limite do lascivo, com um olhar severo mas enternecido. A mesa e as cadeiras estavam assentes numa espécie de ladeira e por isso ficámos, finalmente, à mesma altura. A voz mudou-lhe no mesmo segundo: arrogante, grave, dura, bonita como ela. O empregado aproximou-se, percebeu que eramos portuguesas, riu-se e disse entre dentes: Salazar. Olhou as crianças que andavam em volta numas bicicletas de ferro e disse que tinha ultrapassado a vontade imensa de ter filhos. Franzi a testa. Não podia ser, era tão nova. Mas porquê, algum desgosto? Não, na verdade não tenho paciência para miúdos, exasperam-me. Engoli em seco e mudei de assunto. Voltamos ao silêncio e ficámos a observar os que passavam, os que liam o jornal, os que olhavam para a bezerra. Eram brancos ou indianos castanhos com um olhar raiado de amarelo. Nunca vimos a mistura. Aproveitei para comentar e normalizar a Coca-Cola: É engraçado, logo a primeira colónia europeia na Ásia e não se vêem “casamentos” mistos.
Aqui a mestiçagem,
respondeu-me sem hesitar, é espiritual.
O problema todo é que quem estava sentado mesmo atrás de nós era o motorista, um indiano bem constituído com o desmazelo de quem acabou de sair do torneio de Wimbledon. Virou-se para nós e disse: nem sempre, nem sempre...que há quem seja duro de ouvido. Desatámos a rir os três no momento em que o empregado chegou para receber o dinheiro da conta. Era baixo, pequeno mas esse tinha a beleza de um leopardo. Olhámos uma para a outra e percebemos que iam ser umas férias inesquecíveis. Ela ficou com o pequeno, era mais bonito e fazia com que ela baixasse a voz. Eu fiquei com o grande e desmazelado e elegante porque me fazia baixar a voz. Não. Nunca os trocámos. Não. Eles também não. Não, nunca houve trocas nem confusão. E é disto que o esquecimento tem medo e por isso nunca aparece.
Foi apenas uma semana, o suficiente para Eufémia pedir a demissão.
Voltou no dia seguinte e seguiu o meu conselho: oh mulher ouça fado e faça da saudade e da perda uma coisa agradável.
Eufémia aproximou-se de mim e beijámo-nos com paixão ao som do “Barco Negro”.
Patricia

5/18/2005

As malhas da globalização

Acredito no capitalismo por não acreditar muito no altruísmo do ser humano. É a perspectiva de um novo automóvel, um melhor futuro para a família, o prestígio da promoção ao Conselho de Administração que faz com que as coisas sejam feitas da melhor maneira. Já se sabe que, quando tudo é de todos, ninguém se responsabiliza por nada.
No início do ano, que começou com a eliminação das disposições aduaneiras que restringiam as quantidades de têxteis que a União Europeia podia importar, um ministro chinês afirmou estar a trabalhar para garantir que as exportações de têxteis chineses para a Europa se fizessem de «forma ordenada». Não estava preocupado em garantir que as peças de roupa viessem engomadas, dobradinhas e bem acondicionadas no contentor, ou que não houvesse engarrafamentos de gruas no porto de Xangai. A retórica pretendia agradar às autoridades europeias, ou ao público a quem as autoridades europeias pretendiam agradar, e referia-se na verdade a conter o crescimento das exportações.
Agora o comissário europeu do Comércio afirma estar em curso uma «investigação» acerca das exportações chinesas e dos seus efeitos na indústria europeia. Parece qu
e está a procurar o vilão que viola as regras do livre comércio, mas pouco mais haverá a fazer que recolher os valores junto das alfândegas. Quase não valerá a pena consultar os industriais dos têxteis, porque já se adivinha que a indústria dos têxteis está a vender menos, e já se sabe que todos se queixam, na aplicação inversa do sentimento que os levou a montar o negócio para poder comprar o iate. No contexto de concorrência que a Europa consagra internamente nos seus próprios tratados, os vilões não deviam ser os empresários chineses que produzem mais barato.
Podiam sê-lo se recorrêssemos ao conhecido argumento do dumping social: os salários e as condições de trabalho na China fazem concorrência desleal. Mas se começamos a puxar por esse fio acabamos por chegar ao facto de que a China (ainda) é um país pobre, e que nos países pobres as pessoas estão dispostas a trabalhar por menos e em piores condições. Há uns meses li que havia um exército de trinta milhões de camponeses desejosos de autorização governamental para irem trabalhar para as cidades e que portanto os salários ir-se-iam manter baixos por muito tempo.
Acredito também que o capitalismo gera riqueza suficiente para atender aos mais necessitados que, temporária, ou nalguns casos, permanentemente, devem beneficiar da ajuda de todos. Isto é mais ou menos pacífico, a discussão, evidentemente, centra-se na definição de mais necessitados, e na medida em que devem ser ajudados. O caso dos têxteis pode ser discutido de forma análoga, separando, para efeitos de análise, consumidores e produtores e, dentro destes, a classe dos trabalhadores por conta de outrem. Claro que não existem consumidores puros, de um lado, e trabalhadores, do outro: o operário da Vila das Aves ficará satisfeito se passar a poder comprar camisolas de manga curta made in China a metade do preço, mas a satisfação não será grande se ao mesmo tempo for parar ao desemprego.
As vantagens para os consumidores europeus podem até ser superiores às «perturbações» na produção europeia (como lhes chama a Comissão Europeia), mas de um lado há pequenos ganhos para muitos, enquanto do outro são grandes desgraças para um pequeno conjunto de trabalhadores europeus: se o subsídio de desemprego os protege (durante algum tempo), ninguém os abriga da frustração. No entanto, retirando o adjectivo «europeu», incluímos a felicidade dos trabalhadores chineses que conseguem novos empregos, neste mundo complexo da globalização.
Paulo Bento

5/17/2005

Cabral Ka More





É o pai da independência da Guiné-Bissau e de Cabo-Verde.
É o Che Guevara Africano.
Foi assassinado a 20 de Janeiro de 1973, antes de ver aquilo porque tanto lutou: a independência da Guiné proclamada unilateralmente no mesmo ano por um tal de...Nino Vieira... em Madina do Boé e mais tarde, a independência de Cabo-Verde.
Autoria do assassinato: desconhecida. Por agora apenas especulações.
No Sábado passado pedi a um pintor moçambicano para, em conjunto, fazermos um exercício imaginário:

Se Amílcar Cabral não tivesse morrido em que tipo de homem se teria tornado?

Lívio de Morais, pintor...e escritor, respondeu que devia ser mais do tipo de Samora Machel do que de Joaquim Chissano.


Podia ter acontecido, disse-lhe eu, aquele fenómeno típico dos grandes libertadores: tornarem-se em facínoras ditatoriais.

Não acredito. Respondeu-me de imediato.

Perguntei-lhe: o que de pior pode acontecer a um Amílcar Cabral?

Respondeu-me: precisamente o que lhe aconteceu, ser assassinado.

Lívio de Morais ofereceu-me um bloco (castelo) com desenhos que fez para mim enquanto esperava que eu chegasse ao nosso encontro. Combinámos rezar. Combinámos ter fé na Comunidade e na Ingerência Internacional num país que está neste momento em suspenso. Mas o que mais combinámos, eu e este pintor de multidões africanas e de mães com filhos às costas, foi o de tentarmos manter vivo o espírito de Amílcar Cabral porque, como diz uma canção:
Cabral Ka More.
Atenção aos Ninos, aos Yalás e aos Sanhás, que o Homem Cabral Não Morreu.


Vai em frente Cabo-Verde. Boa Sorte Guiné-Bissau.


Catarina Miranda

Contra Todas as Expectativas


Contra todas as expectativas recorro pela primeira vez à imagem, que pouco tem a ver com filmes ou bandas sonoras.
Contra todas as expectativas deixo uma frase inspirada em quem e a quem todos, na blogosfera, conhecemos:
EU HOJE ADORMECI ASSIM
Patrícia H.

5/14/2005

Uma Mulher Enjaulada na Liberdade




O retrato desta mulher é tirado por um homem na New York Times Magazine e traduzido para português pela Courrier International.
O homem, Christopher Cadwell, descreve a mulher Ayaan Hirsi Ali a oito colunas.
Em síntese Ayaan “nasceu na Somália, fugiu de um casamento imposto pelo pai, trabalhou como empregada de limpeza e hoje é uma das deputadas mais respeitadas do Parlamento holandês. Tornou-se célebre nos Países Baixos por condenar a opressão de que as mulheres muçulmanas são vítimas e declarar que, segundo os critérios actuais, o profeta Maomé seria considerado tirano e perverso”.
A descrição é forte mas, com certeza, demorou-lhe as passas do algarve até lhe assentar na perfeição.
Agora, a partir do texto, oito colunas, e das fotografias, tento eu traçar-lhe o perfil:

Ayaan Hirsi Ali tem 33 anos. Um pai africano, uma mãe holandesa, uma terra natal islâmica. Tem a “cara que merece”. O Negro do chocolate com leite, dentes brancos, cabelo cuidadosamente apanhado, nariz ocidental, um discreto brinco de pérola na orelha, apenas para os mais atentos. Dedos delgados e compridos, mãos de mulher com pé grande.
Para muitos devia limitar-se a um banco de piano de cauda mas, com todo o respeito e admiração que tenho por todos os que decifram e interpretam a Música, Ayaan esforçou-se muito mais do que isso. Obrigou-se a ser livre. Haia é o cenário actual mas antes passou pela Arábia Saudita, Etiópia e Quénia. Aparentemente fugiu destes países, da sua religião e do seu marido mas acredito que Ayaan nunca fugiu a coisa nenhuma.
Um dia um jovem holandês convertido ao Islão, “tocou-lhe no ombro”. “Voltei-me e vi o jovem que me pareceu um belo rapaz sardento, por volta dos seus 24 anos, e que me disse: Minha senhora, espero que os soldados da Jihad arranjem maneira de a matar”.Ayaan “estendeu-lhe a faca do talher e respondeu: porque não o faz você mesmo”.
Obviamente não passa um segundo sem os “seus companheiros de infortúnio”, os guarda-costas.
Regresso ao retrato de Christopher Cadwell:
“O seu estatuto e símbolo nacional, eleva-a acima dos seus concidadãos, mas no quotidiano, ela partilha a triste sorte dos detidos”.
Catarina Miranda

5/13/2005

Red Alert!

Atenção à Joana.

5/12/2005

E agora, algo mais light



É, de facto, maluca, esta ideia de desviar a órbita do planeta Terra através de um salto sincronizado de milhões de pessoas num dado instante. A ideia peregrina conduzirá (dizem eles) ao fim ou à redução do aquecimento global, à extensão das horas diárias de luz natural e a um clima mais homogéneo (e provavelmente também ao fim da queda de cabelo ou ao terminus dos joanetes)... está tudo louco, mas se quiserem inscrevam-se no World
Jump Day, em 20 de Julho de 2006.

Agora, as minhas questões são: temos todos de ir para um certo sítio do planeta ou podemos saltar na nossa banheira? Uma pessoa com 100 kg pode saltar por duas de 50kg?

É que já que a terra tem uma massa de 5,975x1024kg, o impacto causado pela massa de cerca de 6.200 milhões de pessoas se, em média tiverem 70kg(434x106kg) mesmo sincronizado e no local ideal seria substancialmente menor do que uma picada de mosquito num elefante.

Só me faz lembrar da ameaça velada do Mao Tse Tung que avisou o "ocidente" que se os chineses dessem todos uma patada no solo ao mesmo tempo, o mundo sofreria as consequências...

E quem não salta................



Ana Ataíde

Amizade



É uma Fezada.
Foi esse o olhar que trocámos no meio da multidão só não sabíamos bem porquê. O acaso juntou-nos para tratar de assuntos. Trocámos palavras amargas que bem mais nos serviram do que a doçura dos nossos amigos. O acaso também nos separou mas numa altura em que ainda chorámos a distância.
Depois avançámos calmamente para as conversas de café. Na mesa ao lado duas amigas conspiravam contra uma terceira. Ao balcão uma outra mulher estava entediada de todos os seus amigos e só pensava no inimigo e no tanto que ele lhe dera.
Nem sempre são precisas tais adversidades. Num segundo, um rosto bonito e uma bela mão. Num minuto, a palavra mais a outra disparada sem querer.
É uma Fezada. Um salto no absurdo. Uma razia no escuro.
Está feito. É implacável, obstinada, tem força e é afiada...não se parte. É a nossa Amizade:
Flesh and Blood.
Patrícia H. e Catarina Miranda

5/09/2005

Depois dos Jornalistas, os Bloggers


“You are not allowed to put comments”/ “This post has been removed by the administrator”.
São dois dos poderes que o sistema blogger norte-americano dá a todos os autores/“proprietários” de blogs. É importante que existam para filtrar o desnecessário. O interessante, quando se viaja pela blogosfera, é verificar como é feito o uso desses poderes. É a sociedade em pleno funcionamento. É o espelho dos carácteres, das fibras e dos arcaboiços. É verdade que alguns apagam certos comentadores quando os comentários não aquecem nem arrefecem, quando são ocos e fúteis. Essa é, em minha opinião, a única justificação aceitável para os deitar no lixo. Ainda assim, jamais desejaria escrever num blog que o fizesse porque o oco e o fútil também fazem parte de nós. Normalmente os “bloggers” (as aspas referem-se a todos os que não o sabem ser) retiram comentários insultuosos ou maçadores ou, pior, pertinentes. Nunca conseguem estar à altura de um insulto ridicularizando-o; não têm arcaboiço para tirar proveito do que pode aborrecer. Não têm fibra mas têm um blog onde escrevem para serem lidos. É assim na blogosfera, é assim no jornalismo, é assim na literatura e é assim em todo o lado.
O lamentável no mundo dos blogs é o facto de poucos saberem dar uso à possibilidade de escrita sem constrangimentos editoriais. O lamentável é deitarem o que é bom no lixo e preferirem o conforto (como já referiu António Vergara em “A Blogosfera”) do amiguismo e dos comentários “bonzinhos e punheteiros” que lhes alimenta a ilusão de que o que escrevem naquele blog é bom e que lhes afasta a suspeita, o pressentimento, de que, na verdade, podem ser maus. É uma opção de vida, é uma orientação a que têm direito mas é também uma explicação para o processo de nascimento de uma fraude, de uma pessoa fraudulenta.
O António Vergara citou alguns exemplos na blogosfera portuguesa porque uma opinião deve ser ilustrada. Escuso-me a repetir alguns dos nomes que referiu mas a “reportagem” pela blogosfera obriga-me a apontar o caso, ainda que linkado, coisa que o Vergara se recusou a fazer.
O Blog de Esquerda chegou a chamar-lhe o “Leonardo da Vinci da blogosfera”. Com um olhar mais atento percebi que não passava de um mero favor de um potencial amigo no final de uma noite de copos, até porque, averiguando o grau de qualidade do blog deste “da Vinci”, seria difícil concordar com rótulo tão bombástico. Mas aí o problema seria apenas meu. João Pedro da Costa auto-intitulou-se o Lebowski da blogosfera, exibiu uma cultura musical sufocante que nunca o conseguiu enriquecer interiormente, textos enfadonhos, pouco desejáveis para a promoção ou sedução de qualquer grupo musical. João Pedro da Costa manteve sempre “limpa” a sua caixa de comentários e conseguiu que alguém (amigo ou não) o convencesse que o seu blog é publicável em livro, um fenómeno comum na blogosfera e em todo o lado. Não o critico. É de aproveitar. Eu não o faria. São oportunidades que nos podem queimar para sempre, a não ser tenhamos a certeza da verdadeira qualidade dos textos e tal só pode ser aferido por comentadores que não tenham qualquer interesse em agradar, ou não, ao autor. Mas esses, pude testemunhá-lo, foram removidos do blog e garanto-vos que não diziam só mal.
O que aconteceu, tal como dizia Balzac em relação aos jornalistas, é que fizeram sombra a João Pedro da Costa dentro do seu próprio blog e é por isto que resolvi dedicar tanto espaço a este “blogger”: para poder linká-lo ! Como o exemplo do director que com pavor da concorrência acaba por tornar o seu blog num espaço medíocre povoado de bajuladores. O blog merece referência porque, apesar de uma lógica bloggista deformada, se fizermos uma leitura atenta, constatamos que ainda resta uma centelha. Para não ficar apenas pelo mau exemplo vou sugerir uma blogger – Horas Perdidas – que já demonstrou o seu arcaboiço e sistema anti-spam pessoal. Não há comentário que ela não drible. No ténis, chama-se a isto ir à rede e arrumar o adversário que se torna assim num potencial amigo. Claro que a blogosfera e tudo o resto tem de ter os bons, os medíocres e os maus mas imagino o prazer que dá pertencer à elite da qualidade: aquela que nem precisa de usar os poderes que o sistema blogger norte americano lhe confere porque já os tem dentro de si.

Catarina Miranda

5/08/2005

A Minha Mulher IV

De repente veio-me à cabeça a imagem da Europa de pé. Uma mulher de roupas largas e com uma saia bordada a países de leste. Assim é a minha Eufémia. Só quando se despe é que se lhe nota os contornos perfeitos que tenta disfarçar com a França, com a Alemanha e com a Itália…que lhe esbambeia o braço. Quando me dirijo aos seus olhos, envergonha-se e quase tapa a cara com o cotovelo do Reino Unido. A minha mulher já não vem a casa há uma semana. Está doente com uma gripe…por minha causa. Contagiamo-nos durante a manhã de Sábado passado. Não posso fazer nada a não ser ter delírios inspirados em Camões e Pessoa, o costume…nunca saímos disto.
Eufémia tem a Península Ibérica à cabeça mas os seus olhos lusitanos, ao contrário de um daqueles cantos que tão cedo estudamos na escola, não fitam a Mauritânia…apontam apenas para mim.

Patrícia H.

5/04/2005

O Bife do Snob


“Todo o jornal que não aumenta a sua massa de assinantes, sejam eles quem forem, começa a definhar.

Um jornal, para ter uma longa existência, deve ser feito por um conjunto de homens de talento. Deve fazer escola. Desafortunados os jornais que se apoiem num único talento. Se o director tem ciúmes daqueles que têm talento e lhe são necessários, passa a rodear-se de medíocres que o bajulam e que transformam o jornal num mero negócio que não serve para nada. Nesse momento afundar-se-á para sempre o que poderia ter sido o melhor jornal de Paris”.

Vou também fazer desta a máxima sentença para a imprensa portuguesa (rádio e televisão incluídas). Quando leio, ouço e olho para a comunicação social sinto que a descrição de Balzac da imprensa parisiense acertou com a força de um bombardeiro na realidade em que vivo diariamente. Foi uma visão balzaquiana que se instalou à grande entre nós. Se experimentar passear-me e permanecer por um bom bocado nas redacções de uma rádio, de um jornal ou de uma televisão, não vejo o que tanta gente pensa que se vê por aí: “os medíocres a comandarem e os inteligentes dos subalternos a obedecerem a instruções absurdas para não perderem o emprego”. O que vejo é precisamente a proposição de Balzac e, para mim, tem sido esse o problema que afunda em lodo o jornalismo português. Grande parte das chefias, dos directores (nem todos) vivem no pavor que alguém lhes faça sombra com um bocadinho mais de imaginação do que aquela que eles já possuem. Aguentam a qualidade dos subalternos nos primeiros tempos, enquanto isso lhes for garantindo a audiência, mas assim que sentem as atenções, uma que seja, virarem-se, sistematicamente, para o tipo que lhes obedece, começam, muito devagar, a pensar que o chão lhes pode fugir dos pés. É daqui que surgem os jornalistas emprateleirados. Alguns deles são com certeza o topo de gama da informação. São também aqueles que, por vezes, se insurgiram contra o que parece mais óbvio, são aqueles que lhes pediram, aos chefes, uma argumentação profunda para o que os estavam a mandar fazer. Por exemplo: um director pede uma reportagem sobre a igreja portuguesa. O jornalista mostra-se disponível para o fazer e pergunta-lhe, ao director, quais os vários ângulos de abordagem, qual é a ideia que ele tem sobre o assunto, quem poderão ser as vozes da reportagem, se faz sentido falar com pessoas diferentes em vez de ir sempre aos mesmos, etc. Ele responde, quando responde. No caso do repórter apresentar diferentes ângulos para abordar a peça, querer filosofar um bocadinho sobre o assunto, começa a tornar-se incómodo, maçador, “chato” e "enrascado". Transforma-se rapidamente naquele tipo que empata mais do que “fode” ainda que a chefia saiba que a peça trazida por ele seria a mais rigorosa e explícita de toda a redacção. O chefe deixa de ter pachorra para o melhor repórter da sua rádio, do seu jornal, da sua televisão até porque, já agora, que a melhor peça jornalística acabe sempre nas mãos da própria chefia.
Resultado, os jornalistas estagiários ou principiantes ou ainda aqueles que culpam as chefias pela sua própria incompetência, são mandados de rajada para o Iraque, para um Tsunami ou para a eleição de um Papa. Os jornalistas que não levantam grandes ondas são compensados com as histerias das campanhas e dos congressos partidários onde se fazem acompanhar por um comentador do costume. Eu (e há pouca coisa mais pessoal do que isto) dou esticões no sofá quando vejo os jornalistas eficientes relatarem fluidamente a subida surpreendente de José Ribeiro e Castro à liderança do CDS sem que me façam sentir realmente que raio de surpresa é essa, por que será que ela aconteceu. Claro que é para isso que servem os analistas políticos mas também sei que, às vezes, só com uma frase, uma expressão, um gaguejar subtil e intencional, uma mão que se leva ao queixo no caso de uma entrevista, poderia trazer-nos a luz que está por trás da mudança para um líder tão diferente de Paulo Portas como o é José Ribeiro e Castro. O mesmo poderia acontecer com uma descrição mais perspicaz de uma figura como a de José Sócrates ou de Manuel Maria Carrilho. E acredito que isto seria possível sem nunca perder a neutralidade exigida a um jornalista, sem ter de recorrer a overdoses sucessivas de comentadores que vão ganhando boa parte do dinheiro que a maioria dos profissionais mal pagos da comunicação social poderiam ganhar (aqui arrisco-me a ser demasiado "sindicalista"...paciência). Dou esticões no sofá quando, por exemplo, vejo peças televisivas sobre um candidato político que começam “é entrar é entrar senhor candidato que a dona Fátima dos pastéis de Belém passou uma vida à espera de um dia como este”, adquirindo um estilo circense, ou que transformam uma peça sobre as vítimas do tsunami asiático na poesia bacoca com que sonharam durante a noite. Como se ainda faltasse aos desgraçados que ficaram sem casa e família chamarem-lhes “filhos de todos os deuses cujos olhos secaram porque as lágrimas se cansaram” como já vi acontecer.
Para não falar na moda de atribuir aos políticos de hoje a pobreza de discurso e de argumentação. Como se os políticos não soubessem que o jornalista anda de ouvidos ávidos de uma palermice estupenda que agite os espectadores, os ouvintes e os leitores que se pelam por uma boa anedota.
Voltando a Balzac e à sua Monografia sobre a Imprensa Parisiense onde se lê que os jornalistas se transformaram “em serviçais à procura de um tema que agrade à classe média e a faça sentir-se inteligente” e eis que temos algumas capas de revista e peças aterradoras disfarçarçadas de Grande Reportagem.
Não passam de alguns exemplos da mediocridade que se instalou na comunicação social portuguesa e que se pode ver ainda de outra forma. Se hoje experimentar ir comer um bife ao Snob, o bastião do jornalismo lisboeta, não deixo de sentir a simpatia e a boa vontade dos donos do estabelecimento, mas as conversas que se ouvem não são reproduzidas. Não por qualquer código de honra da profissão mas porque deixaram de ter interesse, porque não passam de tricas sobre o tipo que tirou o lugar ao outro, sobre a “gaja que subiu na horizontal”, sobre o director aflito com a falta de dinheiro que publica documentos falsos – mas bombásticos! – na esperança da boa venda. Ouve-se imenso o gajo que começa todas as frases por “eu; porque eu; e eu disse-lhe; e ele virou-se para mim…mas eu não lhe admito porque eu sou um gajo que nestas coisas…”. Ir ao Snob hoje em dia é sentir o estado medíocre a que chegou a lógica do jornalismo português. Por isso deixei de ver aquele espaço como “o cantinho familiar e confortável da conspiração editorial” e passei a sentir apenas a fumarada que embacia o ambiente, a fraca qualidade do célebre bife da vazia e o amargo de boca provocado pelo excesso de mostarda no molho onde flutua um bocado de carne. A vontade que tive, sempre que lá entrei, foi a de sair dali o mais depressa possível para ir apanhar ar e comer hortaliça à dentada.Nestas alturas penso sempre, não devo ser a única: “se eles soubessem o prazer que dá dirigir e pertencer ao «melhor jornal português», coisa que neste momento não sei o que é.
Catarina Miranda

Luiz Pacheco: grande entrevista no Esplanar



A não perder a grande entrevista ao escritor Luiz Pacheco. Leitura disponível no Esplanar.
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