4/13/2005

Fuga ao tsunami com a devida antecedência (III)

Na manhã seguinte estamos os três à mesa do pequeno-almoço ao ar-livre, vendo o amanhecer sobre a ria. O viajante quer saber que dia é, mas os holandeses andam nestas andanças há mais tempo e menos sabem, eles que até já foram ao Laos - o Laos, sim, percorreram o norte onde o único meio de transporte eram as traseiras dos camiões de carga que seguiam por estradas por asfaltar e tu, que apenas tiveste coragem para atravessar uma selva urbana, rois-te de inveja por nem sequer ter estado nos teus planos lá ir. E no entanto, a falta de entusiasmo com que se referem a um dos países mais fechados leva a pensar se isto das viagens é mais aquilo que se vê ou a forma como se olha.
O long tail sai devagar do ancoradouro, deixando passar a canoa longa, veloz, ali vai outra vez a vintena de homens da ria a remar. Gritam a plenos pulmões, alegres, sem receio de consumirem as energias num esforço que não dá de comer aos filhos, sinal de que as mulheres é que fazem dinheiro lá em cima sobre as estacas, vendendo aos turistas - e porque não, se na Ásia o comércio é a omnipresença?
A ondulação dilui-se e a expedição prossegue por uma geografia inédita, milhares de ilhas, milhares de pontos de que um mapa não é capaz de dar conta, vultos que aparecem e desaparecem ao sabor das brumas oceânicas no lugar incerto onde a baía de Phan Gna acaba e o mar começa. O viajante lamenta-se por não ser solitária a sua navegação através de tudo isto, mas agradece haver um barqueiro que o conduz a uma gruta inundada - e secreta, dirá ele a todos os excursionistas, homem paciente que espera que ele se banhe debaixo da chuva miúda na lagoa verde-esmeralda como nos anúncios das 8 noites/7 dias com transfer e pensão completa.
Pela tarde vai dizendo os nomes das formações, Khao Tapoo, Koh Khai, Koh Phanak, Kao Pingkan, a ilha unha ou de James Bond a ser o auge, onde Phan Gna se cruza com os magotes de visitantes vindos de Phuket, a apenas alguns quilómetros. Ali está o grupo de japoneses uniformizado no colete salva-vidas, nenhum deles sabe nadar, diz um dos holandeses do Laos, mas não apontes porque isso é por aqui um grande insulto.
Paulo B.
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