4/05/2005

A Bolsa Adormecida

Há poucas coisas mais chatas que o noticiário da Bolsa. Assim como os correspondentes televisivos em Bruxelas são sempre de meia-idade – será que o assunto requer alguém mais maduro? – o repórter financeiro aparece-nos invariavelmente um tipo jovem, bem lavado, melhor penteado, boa gravata, camisa branca impecável mas sem casaco, com o ar de quem daí a pouco também ele irá arregaçar as mangas e deitar as mãos ao teclado, processando swaps, repos e forwards. O pivot pergunta-lhe sobre as últimas novidades e ele informa que Lisboa variou 0,042% na sequência da abertura em queda de Tóquio, manhã após manhã. Na verdade, as cócegas de umas décimas não interessam ao grande público, que só vibra quando, tal como nos acidentes, ocorrem mortes, ou seja, quedas superiores aí a uns 3%. Por outro lado, aqueles que têm dinheiro lá metido acompanham tudo no ecrã do computador, provavelmente até inseriram algum algoritmo que lhes vende automaticamente as acções quando o prejuízo já vai grande.
Paulo B.
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