3/19/2005

O Texto Mais Inconsequente do Mundo


Posted by Hello
Depois de 39 anos de "violenta oposição", a UNITA integra agora o governo angolano. Acabei de chegar a Luanda. A primeira impressão é má e já me disseram que a segunda também. Tenho um encontro marcado com Ernesto Mulato, o vice-presidente do partido, que me vai explicar por que razão não se afasta a UNITA do poder: o Ministro da Saúde (da UNITA) descobriu irregularidades no sector, quis alterar o seu ministério e foi impedido de o fazer pelo Presidente José Eduardo dos Santos. O líder do partido e natural candidato às próximas eleições presidenciais e legislativas, Isaías Samakuva, já disse a toda a gente que está disposto a engolir alguns sapos em nome da estabilidade: "a UNITA não vai deixar o governo de unidade e reconciliação nacional". Ernesto Mulato estava à minha espera no hall de entrada do hotel. Pequenino, careca, com óculos. À primeira vista pareceu-me que gostou de mim. Talvez lhe agradasse a ideia, apesar de não ser essa a minha intenção, de alguém que foi conhecer o país e começa por querer perceber o que é que sente um partido antigo que experimenta o poder pela primeira vez. Pedi uma Coca-Cola e ouvi-o falar em populações angolanas pouco informadas que poderiam interpretar o afastamento da UNITA do governo como um possível regresso à guerra, além de que permanecer num executivo seria, segundo Ernesto, uma óptima aprendizagem administrativa. Os ministros da UNITA sentiam-se limitados pelo partido maioritário mas iam ficar. Registei tudo num papel e vou tentar fazer um trabalho que começa..., deixa-me pensar..., com uma citação de Montesquieu sobre o poder. Voltei a inscrever-me na Faculdade de Letras em Filosofia. Sinto-me uma principiante mas vou tentar fazer estes textozinhos básicos de quem nem sequer percebeu ainda como é que funcionam as alternâncias democráticas ou a incapacidade de as concretizar. Vou começar por basear-me nos poderes em Angola porque me surgiu a oportunidade de ir andar de mota d'água para a ilha do Mussulo. "Bora aí malta. Vamos cagar nesta cena que é bué da seca".
Catarina Miranda
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