3/31/2005

A Minha Mulher II

Enfiou o frango na água, juntou-lhe cerveja branca, leite e noz moscada. Virou-se para mim e apontou para os temperos – “o sal e a pimenta ficam ao seu gosto D. Patrícia”. Eufémia resolveu vir ontem. O patrão para quem trabalha durante a semana chamou-lhe “cadela”, que nem para lhe engraxar as botas servia. Porreiro, é da maneira que me faz a sopa e fica ao pé de mim. Sentámo-nos na mesa da cozinha para comer e ela, de olhos no chão, a custo, contou-me o sonho que tinha tido: “Tenho andado cansada… veja lá, sonhei que estava com uma gripe dos diabos e que me enfiava consigo na sua cama, a tremer de frio.” Perguntei-lhe há quanto tempo não era vista por um médico mas ela fez ouvidos de mercador. Tomei coragem: “Se quiser realizamos-lhe o sonho, vamo-nos deitar, está na hora da sesta”. Fomos. “Ponha-se à vontade”. Ela não hesitou. Caramba, estava a deitar-me com uma mãe: não tinha ancas, tinha ilhargas. Com certeza deu de mamar, as minhas mãos juntas não chegavam para lhe apanhar um seio. Pronto, aí estava eu numa dessas emboscadas, ela já me parecia um sucedâneo de uma das netas do Hemingway em versão matrona. Tresandava a fertilidade. Antes de adormecermos tocou com os pés dela nos meus. Por ontem fiquei saciada, parecia "um eremita extasiado". Foi-se uma tarde de trabalho. Já não consegui sair da cama.

Patrícia H.
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